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Marie is losing the plot

27
Fev18

Sonhos cor de rosa

Marie

Os meus sonhos, de forma geral, já costumam ser, digamos, peculiares. Sonhar que saio de casa descalça ou que consigo voar é demasiado pouco imaginativo para o meu subconsciente. No entanto, costumo ter sonhos recorrentes, desde coisas nada perturbadoras, como: estar num autocarro, quase sempre vazio, e o condutor dar uma de louco e atirar o autocarro por uma ribanceira abaixo; ou então que a minha casa está a ser assaltada. 

 

Deixo-vos aqui o top 3:

 

  • O Ataque

 

Estava a ver a pauta de uma  das minhas  cadeiras da faculdade, quando vejo que o nome de um amigo do secundário constava na pauta. Indignada, e como se não pudesse haver pessoas com dois nomes iguais, ligo-lhe pelo skype e pergunto-lhe porque raio é que ele está  inscrito no meu curso. Quando ele ia a  abrir a boca para me responder, aparece a namorada e diz-me "Marie, já viste o que está a acontecer? liga já a televisão!". Bem mandada, liguei a televisão e vi sobre o que é que ela estava a falar. Estavam a haver ataques terroristas, em simultâneo, em vários países do mundo. Quando volto a olhar para o PC, para comentar o que se estava a passar, vejo a porta de casa deles a ser arrombada, eles a andarem para trás ( ate que saíram do plano) e um homem a disparar sobre eles.  Como se já não estivesse a ser demasiado perturbador, o  sujeito percebe que está a ser filmado, aproxima-se da camera, e diz-me " You're next". 

 

  • O quarto a arder

 

Acordo cheia de sede, vou a cozinha buscar um copo de agua e vejo que está um rapaz , com seis ou sete anos, no corredor.  Quando chego à cozinha estavam as minhas colegas de casa reunidas e  pergunto-lhes quem é o miúdo. Ninguém me sabe dizer nada sobre o rapaz, ate porque pensavam que era um dos meus sobrinhos. Disse-lhes que não conhecia o miúdo de nenhum lado. Bebi o meu copo de agua e voltei para o quarto. Estava descansada da vida, ate que começam a bater a porta. Perguntei quem era, era o miúdo queria saber se podia entrar, disse -lhe que não e ignorei-o a bater à porta durante uns bons valentes minutos. As batidas na porta pararam, mas em seu lugar, começa uma musica estranhíssima vinda do quarto que estava logo ao lado do meu. Lá me levanto, para pedir a minha colega para baixar a musica, mas quando chego lá vejo que era o miúdo que estava no quarto e não ela. Eu já com vontades homicidas e sem paciência nenhuma, pensei " isto não é uma criança, é um demónio", e ele como se tivesse lido o meu pensamento começa às gargalhadas. Ate que, já eu no meu quarto, a tentar abstrair-me do que estava a acontecer, sinto o cheiro de fumo e quando olho para a porta ela está a arder. [ depois acordei, mas a parte que me assustou passou-se quando eu já estava acordada. Acordei deste sonho por volta das seis da tarde, as dez da noite, o meu irmão liga-me e pergunta se já sabia o que se tinha passado. Eis que me diz que : A casa de um amigo meu começou a arder,  ainda hoje, não se sabe como, e a mãe dele acabou por morrer queimada, enquanto dormia]

 

  • Suicídio colectivo

 

Havia uma professora que a turma odiava. Não havia ninguém que gostasse dela, e ela que pouco se importava com isso, nada fazia para mudar. A turma combinou reunir-se  depois da aula, acabando a reunião com um plano para a assassinar. Só que como ela só nos dava aulas à nossa turma, o  meu subconsciente fofo como só ele sabe ser, achou por bem que assim que lhe desse-mos o veneno a ela, devíamos também nos matar-nos. Tudo correu como planeado ate que, sendo eu a ultima, não tive coragem de beber o veneno. Seguiu-se uma  autentica cena de serie policial, onde nos interrogatórios eu negava o meu envolvimento e jurava que não sabia das intenções dos meus colegas. A ultima coisa que me lembro deste sonho, foi que um novo ano lectivo tinha começado, e estava na biblioteca da escola a ler um post num blogue em memoria ao acontecimento. 

 

Durmam bem e tenham sonhos cor de rosa, sim ? 

 

 

25
Fev18

Fim de tarde

Marie

Só depois de batalhar contra conforto do pijama e da manta sobre as pernas é que interrompo a leitura. Abro a persiana, comento comigo que está um dia bonito. Sei que mais tarde ou mais cedo vou ter que sair para ir comprar tabaco, e que se a opção for  o mais tarde, vou acabar por ir as bombas de gasolina mais próximas, onde o senhor me vai sorrir quando vir o rosto familiar, vai dizer como que perguntando "Para a menina vai ser um Camel". O sacana já me sabe o vício. 

 

Puxo os lençóis e a colcha para trás. Quase que ouço a minha avó, a ralhar comigo, quando me dizia que a roupa da cama tinha que arejar, que depois acordava toda mordida e a culpa era minha. Digo quase, porque embora me lembre dela, e do que me dizia, já  lhe esqueci a voz. Mas nunca me esquecerei que ela cheirava a pêssego. Abro a janela e saio de casa. 

Decido que vou a tabacaria do centro. A senhora que me atende olha-me com condescendência. Sento-me num dos bancos do jardim, enquanto observo um grupo de senhoras idosas, muito bem vestidas e penteadas. O sino toca, calam-se e já não conversam nem sorriem. Entram na igreja, embora não seja religiosa, louvo-lhes a cerimónia. 

Decido voltar a casa, passando por um dos jardins da cidade. O mais bonito. Aquele que é trespassado pelo rio. Um casal, julgo eu, de namorados passa por mim. Parecem distantes mesmo  que caminhando lado a lado, na mesma direcção. Mais à frente, encontro uma família. A mãe, que aparenta um ar cansado, embala um carrinho de bebé. O pai, sentado no outro extremo do banco, fala ao telemóvel, enquanto  faz um gesto de aprovação ao filho e  à sua conquista de já saber andar de bicicleta. 


Chego a casa, encontro-te sentado nas escadas da entrada. Perguntas-me se estou bem e se podes subir comigo. Digo-te que sim. Entras, queixas-te do frio, que sou parva por ter deixado a janela aberta. Sento-me no parapeito da janela a ver o pôr do sol e a fumar um cigarro.  Juntas-te a mim, abraças-me e o frio deixa de ser problema. 

 

 

23
Fev18

Mas a comida estava óptima.

Marie

Certo dia,  num contexto informal, um professor de uma amiga minha perguntou "mas quem é este gatinho acossado?", dirigindo-se a mim. Sorri, de forma completamente culposa, encontrando naquela pergunta a definição de mim mesma. 

 

Sei que o meu humor, dependendo das situações sofre variações, e por isso percebo que quando estou em ambientes ou com pessoas que não me são familiares torno-me introvertida, evasiva e vaga. 

 

A última vez que aconteceu, foi num jantar de aniversario de uma amiga. A aniversariante e uma amiga dela eram as únicas pessoas que eu conhecia.  Num ato de "já não tenho assim tantos amigos, deixa-me preservar os que tenho" lá fui eu ao jantar. Cheguei, dei um abraço e um beijinho a minha amiga, cumprimentei a outra miúda que conhecia e apresentei-me as restantes pessoas. 

 

Ao fim de cinco minutos, percebi que não me identificava com aquelas pessoas. Os assuntos da conversa eram triviais,  serviam-se de clichés em forma argumentos, básicos e pouco desenvolvidos.O engraçadinho do grupo, que poderia ser a salvação, usava o humor para disfarçar o racismo e a  homofobia. E quase me fez vomitar o jantar, que ainda nem sequer tinha comido. 

 

Nestas situações, em que estou desconfortável, dou muito pouco de mim a conhecer, de forma arrogante e ate talvez sobranceira. Sirvo-me da ironia, que me é fácil, e mais ainda da mentira. Entre olhares cúmplices, com a minha amiga, menti sobre mim, sobre os meus interesses, sobre as minhas opiniões.

 

E ao mesmo tempo que isto me diverte, da-me pena. 

 

 

 

 

21
Fev18

A última dança

Marie

A minha mãe, já aborrecida, revirou os olhos e disparou um "ainda não deitaste a merda das sapatilhas fora". Disse-me isto porque estão velhas, sujas, a descoser-se e têm um furo na sola. E é tudo verdade.  Mas continuam guardadas, ao lado do outro calçado, como se estivessem a espera de ser usadas. 

 

Só que durante os últimos quatro anos, aquele bocado de pano e borracha, esteve comigo, a servir-me de chão. Estão sujas de tanto serem usadas. Espetei-lhes um prego quando, ainda de madrugada, estava a ir para um dos miradouros da cidade para ver o nascer do sol. Tem marcas de dentes, porque eram um dos brinquedos favoritos da Frida. Comecei e acabei amizades. Foi com elas que fui ao concerto do Sérgio Godinho. 

 

Por isso mãe, deixa-me só leva-las a dançar uma última vez, que eu prometo que as deito fora. 

 

 

 

16
Fev18

Tag 100 perguntas que nunca ninguém te faria (1/10)

Marie

Estas são as primeiras  dez perguntas da " Tag  - 100 perguntas que nunca ninguém te faria" do Triptofano . Sim, já começamos bem porque a ordem das perguntas está trocada, mas you know what? I'm losting the plot. 

 

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Já fizeste alguma cirurgia plástica? Não,  já sou tão perfeitinha que se mexerem vai ser para estragar.  Já viram aqueles casos em que a coisa corre mal não já, pois.

 

Já tiveste que fazer cocó em algum sítio que não era suposto fazeres por estares demasiado aflito? Eu sou expecialista em fazer coisas que não sao supostas. Por isso sim, check a esta situação

 

Qual foi o disfarce de Carnaval que mais gostaste de usar quando eras criança? Facil,  quando me mascararam de noiva cadaver. Na verdade  estava mascarada de Inverno, mas juro-vos que estava igualzinha a noiva cadaver. 

 

Já namoraste com alguém que tenhas conhecido numa "rede de engate"? Não, nem nunca tive um perfil  em uma "rede de engate". Mas o meu melhor amigo namora com um menino cujo o "swipe right" teve a minha aprovação, conta?

 

Já curtiste com alguém de quem não te lembras por teres bebido demasiado? Até à data a resposta é não, mas sei lá, como não me lembro pode ser que ainda venha a descobrir. 

 

Tiras macacos do nariz? E o que fazes com eles? Só mesmo quando me assoo, por isso vao diretos para o lencinho de papel. 

 

Já te peidaste e culpas-te outra pessoa?  O pobre  do cão leva sempre com as culpas ou então os meus sobrinhos. 

 

Preferias ser atacado por um urso ou por um enxame de abelhas?  Se soubesse que o ataque ia resultar na minha morte: preferia o urso, ao menos morria logo de uma vez.  Se sobrevive-se: preferia na mesma o urso, todos concordamos que é muito melhor contar a historia de que fomos  atacado por um urso em vez de um  enxame de abelhas, não é ? 

 

Já apanhaste alguma multa? (de carro ou de outra coisa qualquer - desacatos na rua, exibicionismo...) é coisa que me admira, mas ainda não aconteceu. 

 

Se os teus vizinhos estivessem a fazer sexo no prédio à frente de janela aberta, ficavas a ver até ao fim ou fechavas as tuas cortinas? Era o tempo  de dizer " abençoados" e ia a minha vidinha, que tempo é dinheiro! 

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