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Marie is losing the plot

15
Nov18

As andorinhas voltam sempre ao ninho

Marie

Sempre disse que ia ficar em casa ate que a minha mãe morresse. Como se ela fosse a raiz que me prende ao sitio onde eu moro. A conversa sobre o ir e ficar sempre foi recorrente dentro do meu grupo de amigos. E  eu sempre quis muito ir. 

 

Vivo numa aldeia pequena: é tão pequena que o padeiro ainda deixa o pão no saco que costuma estar nos portões das casas; que ainda há roupa que se estende nas cordas que estão junto ao tanque onde se lavam os cobertores na aldeia. Que os cães andam soltos, e  que toda a gente sabe como se chamam e de quem são; que para encontrar pessoas na rua, sabe-se que é na hora de pegar e despegar, ao sábado antes ou depois da missa, ou então em ocasiões especificas, como os funerais ou na romaria da aldeia.

 

Arranjar emprego aqui não é fácil, sendo que trabalho há muito. Mas é o que eu digo à minha mãe: Não tenho filhos para criar nem para lhes por pão na mesa, por isso não ponho sequer a opção de fazer vida a trabalhar no campo. Por enquanto, porque sei que não preciso. Mas também sei  que se for preciso sei fazer a poda e a espampa. E os empregos, bem é como em todos os outros sítios, é para quem tem padrinhos. 

 

Mas voltando ao inicio, a minha mãe é a raiz que me segura aqui. E aqui não falo do amor que sinto por ela. Falo sim da necessidade que sinto - e quando sei que os meus irmãos não o fazem e duvido que o vão fazer - de cuidar dela, esse sentimento transforma-se quase em uma obrigação que imponho a mim mesma. 

 

Mas diz-me ela, para me sossegar, que as andorinhas voltam sempre ao ninho. E eu quero crer que as coordenadas do ninho e do colo nunca se esquecem. 

 

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