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Marie is losing the plot

25
Mar18

Domingo de Ramos

Marie

Ontem andava a  minha mãe muito atarefada a cortar uns raminhos da oliveira e a colher alecrim do jardim. Enquanto preparava o ramo - que estava longe de ficar decente - perguntei-lhe se estava a fazer  um ramo ou uma vassoura para limpar o galinheiro. 

 


De todos os irmãos, sou a única que todos os anos continua a entregar o ramo à madrinha. Não sei bem porque é que pararam,  se por já terem crescido, se o folar que costumavam receber já não lhes agradava, ou se a ligação que tinham com aquelas pessoas, que os meus pais decidiram que iam ser os nossos padrinhos, se perdeu. Pensando bem sou a única da família que mantém a tradição, nem os meus sobrinhos o fazem.

 

Não o vou benzer à igreja, porque não tenho paciência para missas nem para deuses - mas a minha mãe vai por mim. Acredita que se fosse por minha vontade, benzia-o com agua da torneira e a minha bênção seria muito menos católica. Mas muito mais divertida. 



Hoje, levantei-me cedo e fui-lhe entregar o ramo. Tomamos o pequeno almoço, juntas, chá e bolo de laranja, faz parte da nossa tradição. Enquanto conversávamos, perdi a noção de quantas vezes contive as lágrimas. O cabelo branco denuncia-lhe a velhice, mas pelo menos não lhe denuncia a doença,  a quem ela faz questão de sobreviver estoicamente.

 

 

Hoje é também o dia em que há um brinde a menos, por mim e pelo meu padrinho, que quis a sorte que partilhássemos o aniversario. "Às princesas, dá-se um beijinho na testa", costumava dizer ele quando me via.

 

 

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