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Marie is losing the plot

24
Mar18

Outro tipo de vergonha alheia

Marie

Depois de ler este post, lembrei-me desta situação: 

 

Estava eu numa fila, para pagar, quando reparo que à minha frente esta um senhor amoroso. Aquele tipo de senhor que tem pinta de avô. Quando vê que eu reparo no livro que ele ia comprar diz-me: é para o meu neto. Sorriu-lhe, como quem ouviu o que me foi dito, mas já sem paciência para estar naquela fila muito mais tempo. 


Lá chegou a vez dele. O rapaz que o atendeu, a quando do pagamento, perguntou-lhe se tinha cartão de cliente. Ora pois que não tinha, explicou-lhe as inacreditáveis vantagens que aquele cartão lhe traria, o senhor convenceu-se, disse que sim e começaram a preencher a ficha de cliente. 

 

Entre aqueles dados básicos que se costumam pedir neste tipo de situação,  foi-lhe perguntada a profissão. Ao que o senhor responde : Juiz Desembargador. Ao ver que o rapaz só tinha escrito juiz, ele como quem estava a ver o seu orgulho a levar uma chicotada, diz-lhe: escreva mesmo desembargador. Pronto, foi aqui que eu quase me cuspi toda, levei a mão a testa e me perguntei se aquilo estava mesmo a acontecer.

 

(Nota: Um  juiz desembargador pode, por exemplo, rever as decisões dos juízes de primeira instância e modifica-las. É como se fosse “o juiz dos juízes”. Isso acontece quando uma das partes envolvidas questiona a sentença do tribunal, recorrendo ao recurso para que a decisão do juiz de primeira instância seja encaminhada para a segunda instância.) 



De modos que: o rapaz que o estava a atender,  a base de dados daquela loja e eu ficamos a saber: o NIF, o numero de telemóvel, a morada e ate que o senhor juiz desembargador tinha um netinho, entre outras informações de cariz privado.



Eu que nem sou das teorias das conspiração tenho noção do quanto esta informação pode valer, e,  sem  me cansar muito, consigo imaginar as formas mais requintadas e perversas de a usar. 


 

*"Direito à reserva da intimidade da vida privada", está legislado. E este senhor, ocupando o cargo que ocupa devia sabe-lo melhor do que ninguém. É como aquela historia de irmos ao supermercado comprar papel higiénico,  e lá se ouvir um: "Quer factura com numero de contribuinte?". A mim ninguém me paga para fazer o trabalho dos fiscais das finanças.

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