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Marie is losing the plot

31
Mai18

Quando somos apanhados na curva

Marie

Tenho-me como uma miúda descomplexada. Falo de tudo sem grandes problemas, por exemplo da minha vida sexual: não faço um grande alarido, nem faço questão de, mas sou honesta quando o assunto é esse, e não me sinto envergonhada. 

Mas pelos azares dos azares, no outro dia tive que ir a uma farmácia comprar a pílula do dia seguinte.  E eu, a quem geralmente pouco interessa os julgamentos dos outros sobre mim  ou sobre a  minha liberdade,  ainda nem tinha entrado e já estava a imaginar um coro de velhotas a chamarem-me desavergonhada enquanto faziam o sinal da cruz. 
  

A farmácia estava cheia. Cinco minutos à espera, se calhar vou me embora embora; 10 minutos à espera, não vais nada embora, sua parva; 15 minutos à espera,  não acredito que me estou a sentir envergonhada;  20 minutos à espera, é a minha vez, ainda vais a tempo de dizer que só queres uma caixa de ben-u-ron, porque quando fizeres o pedido a tua voz vai ecoar e toda a gente vai ficar a saber. 

 

A menina, farmacêutica, diz me bom dia e pergunta-me o que eu preciso. Digo-lhe, baixinho. Como se estas coisas tivessem, sempre, que se dizer baixinho. 

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